terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Um problema que pode ficar sério

Recente notícia publicada no Estado dá conta de que o total da inadimplência no financiamento de automóveis passa dos R$ 13 bilhões, dos quais R$ 4 bilhões já estão atrasados há mais de 90 dias. É um dado preocupante, mas, de certa forma, esperado. O problema é que ele vem cedo demais, uma vez que o Brasil ainda não atingiu o segundo estágio da atual crise internacional.

Tendo na base a quebra de confiança na economia, a atual crise, em boa parte dos países desenvolvidos, pode ser dividida em três fases.A primeira derrubou o crédito e quebrou bancos, seguradoras e fundos de investimentos; a segunda atingiu a economia real, diminuindo o consumo, os investimentos e a capacidade de produção; e agora entra uma terceira, representada pela perda do emprego e pela quebra de empresas.

O Brasil sente a falta de crédito e a redução da capacidade de produção da economia real, mas ainda não foi atingido pelo desemprego e pela quebra de suas empresas. Este quadro, segundo os analistas, só deve acontecer no ano que vem e em ritmo mais ameno que em várias outras nações.E é aí que mora o perigo: com a economia ainda a salvo das conseqüências de uma forte onda de desemprego, a indústria automobilística já sente a queda das vendas, fruto da falta do crédito fácil, da inadimplência e da conseqüente maior exigência para a concessão de financiamentos, especialmente os de longo prazo.

Mas a inadimplência detectada é apenas a ponta de um iceberg, atualmente representado apenas pela soma dos prazos dos financiamentos com a falta de capacidade de grande parte dos compradores honrarem seus compromissos.Este quadro deve se agravar com a chegada do terceiro momento da crise, uma vez que com o desemprego a inadimplência aumenta, tornando-se um problema sério para as instituições comprometidas com o financiamento de veículos.

Em outras palavras, o crédito para financiamento de veículos, que começava a ficar escasso pela falta de dinheiro no mercado, deve ficar ainda mais difícil de ser conseguido, pelo aumento dos juros praticados e pela seletividade imposta pelas financeiras para a sua concessão.As montadoras e os principais importadores sabem que o mar não está para peixe e que o cenário de demanda aquecida visto até recentemente, e sentido, antes de tudo, na volta do ágio praticado em determinados modelos, é coisa do passado, tanto que as montadoras já programam férias coletivas e os importadores fazem promoções para diminuir seus estoques.

Este quadro adverso impacta a atividade seguradora. O seguro de automóveis é o grande responsável por boa parte do dinheiro em caixa das companhias de seguros. Seguro de giro rápido, as entradas e saídas decorrentes das apólices de automóveis são responsáveis por parte significativa do dinheiro à disposição destas empresas.Além disso, são grandes captadoras de recursos para investimento no mercado financeiro. Não é por outra razão, senão a taxa de juros e a alta da bolsa até meados do ano, que uma parte do segmento está com o preço de seus seguros de automóveis abaixo do ideal.

O retorno financeiro justificava um eventual prejuízo industrial, uma vez que o resultado operacional ficava positivo, em função do resultado das aplicações compensarem o prejuízo com o próprio negócio.Com a crise, a situação muda de figura. A queda das vendas dos veículos novos afeta o crescimento da atividade seguradora pela redução do número de novos negócios. Os preços baixos destas apólices comprometem o resultado das companhias. O excesso de oferta de veículos deve reduzir o valor dos seminovos e, por tabela, o prêmio dos seguros.E o desemprego impossibilitará o reajuste dos prêmios.

Neste cenário, 2009 será um ano complexo, no qual a sintonia fina das companhias, a parceria com bons corretores e a calma para esperar passar a tormenta terão reflexos diretos nos resultados de cada um dos envolvidos, sejam seguradores, canais de distribuição ou outros prestadores de serviços.

Por Antonio P. Mendonça
Fonte: Revista Mapfre

Após 3 meses de lei seca, número de acidentes fatais tem queda de 8%

1.756 motoristas foram presos em flagrante por embriaguez 2.797 condutores foram autuados por dirigir bêbados
Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), após três meses de vigência da lei seca, a queda nos acidentes fatais foi de 8%. O balanço dos números no primeiro trimestre da lei seca nos 61 mil quilômetros de rodovias federais foi divulgado na última segunda-feira (22).

Segundo a PRF, esta taxa já foi maior; nos dois primeiros meses de vigência da lei, a queda no número de acidentes fatais era de 13,6%.Segundo a PRF, a ausência de fiscalização no interior do país, sobretudo nas pequenas cidades, é responsável pela diminuição na tendência de queda dos acidentes fatais registrada nos dois primeiros meses da lei.

"A responsabilidade pela segurança do trânsito se divide entre União, Estados, Municípios e, sobretudo, a sociedade. Se um destes elos se partir, o esforço de todos fica comprometido", afirma o diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Hélio Cardoso Derenne.

Entre o início da lei seca, no dia 20 de junho, até 20 de setembro, a PRF computou 33.497 acidentes, com 1.697 mortos e 18.759 feridos. No mesmo período de 2007, foram 30.835 acidentes, 1.808 mortes e 18.596 feridos. O número de acidentes com mortos caiu de 1.469 em 2007 para 1.351 em 2008. Ou seja, o número de acidentes e feridos aumentou em 2008, mas o número de mortes diminuiu.
O número de prisões por embriaguez nas estradas, no primeiro trimestre de vigência da lei, foi de 1.756 motoristas presos em flagrante. No total, 2.797 condutores foram autuados por dirigir embriagados.

Fonte: Negócios para corretores - Mapfre

Redução do crédito reduz vendas de automóveis em outubro

Pela primeira vez em 2008, as vendas de veículos tiveram queda na comparação anual
Segundo dados divulgados esta semana pela associação das montadoras, a Anfavea, revelam que as vendas de veículos novos em outubro caíram 2,1% na comparação com o mesmo mês do ano passado e retraíram-se ainda mais, 11%, para 239,2 mil, em relação a setembro.

A baixa acentuada deve-se à escassez de crédito gerada pela crise financeira internacional. No caso das vendas de automóveis, significou aumento dos juros e número menor de parcelas, que já chegaram a 72 meses sem entrada.A retração nas vendas puxou também o freio da produção.

A fabricação de 296,3 mil veículos no mês passado foi 1,3% menor que a de setembro e 0,3% sobre outubro do ano passado.No ano, as vendas permanecem no território positivo, com alta de 23,4% sobre o mesmo período de 2007, atingindo 2,45 milhões de unidades, volume que está próximo da projeção da Anfavea para o ano (3,06 milhões de unidades, com alta de 24,2%). Já a produção até agora avançou 17,6%, para 2,92 milhões de unidades, ritmo acima da estimativa da entidade para o ano, de 15% (ou 3,425 milhões).

Em valores, as exportações de veículos e máquinas agrícolas avançaram 2,7% em outubro sobre setembro, para US$ 1,29 bilhão, mas recuaram 4,8% sobre o mesmo mês do ano passado. No ano, os embarques de janeiro a outubro cresceram 7,4%, somando US$ 12 bilhões.

Fonte: Negócios para corretores